Acompanhe a coluna dos astrólogos
George Jorge e Márcia Bernardo aos Sábados
no Jornal da Orla,
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Jornal Local Zona Noroeste
Jornal Local Guarujá.

 

Cid Marcus Vasques


O entrevistado é santista, astrólogo, professor universitário de Teoria da Comunicação, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais, e professor de Mitologia Grega e Hindu.


1 - Por que estudar Astrologia?

Devemos estudar a Astrologia para que possamos nos entender um pouco melhor, a nós e aos outros. Se colocarmos aqui que a Astrologia tem por base mais o pensamento analógico que o analítico acreditamos que ficará mais fácil a compreensão desta nossa assertiva. Analogia é relação, aproximação, semelhança. Análise é separação, divisão, afastamento. A primeira atua na direção do social, a outra atua na direção do individual. A partir destas observações, percebe-se porque a Astrologia é tão combatida pela chamada visão racional do mundo. Esta visão racional assumiu a função de explicar o mundo para nós e de conduzir as organizações humanas, principalmente a partir do século XVIII, tudo com base na filosofia iluminista e no sucesso das ciências empíricas, criadoras das modernas tecnologias. Socialmente esta “vitória” da razão trouxe o individualismo. Este sucesso, amparado pelo tripé racionalismo-consumismo-utilitarismo, nos proporcionou de fato algumas conquistas materiais. Algo, porém, nessa trajetória se perdeu. Nossa qualidade de vida parece piorar a cada dia, enquanto nossas ‘máquinas’ melhoram cada vez mais. Vivemos angustiados, assustados, amedrontados. O outro para nós é sempre uma ameaça, o outro que poderia ser o nosso próximo, o nosso semelhante. Escondemo-nos atrás de muros eletrificados, de vidros escuros em nossos carros, de secretárias eletrônicas, temos cachorros assassinos....

Entrar em bancos virou um horror, somos olhados como assaltantes em potencial, tendo que passar muitas vezes por revistas humilhantes, abrindo sacolas e revirando bolsos. Em aeroportos então...

A Astrologia porque prioriza a analogia, busca mais o conhecimento que a informação. Conhecimento é informação questionada, aplicada, corrigida, revista, vivida. Um dia, a informação poderá ser transformada em conhecimento... Para isto, entretanto, é preciso tempo, amadurecimento, coisas para as quais não temos tempo hoje. Por isso, não temos que nos espantar por encontrar tantos semi-analfabetos com diplomas universitários. O pensamento dominante nas várias formas de ensino, desde os graus iniciais aos superiores, tem por base a visão racional do mundo. Recusa a Astrologia, evidentemente.

Grande parte da culpa com relação à situação em que a Astrologia se encontra hoje cabe aos próprios astrólogos (?). Até o século XVIII, a Astrologia sempre esteve ao lado da Cultura, da grande Arte, das expressões superiores do pensamento humano. Tendo mergulhado na obscuridade devido a perseguições nos séculos XVII e XVIII, a Astrologia reapareceu em meados do século XIX, mas já como “Pop Astrology”, longe do universo cultural em que vicejava.

Uma Astrologia de baixa extração foi ganhando aos poucos evidência nos meios de comunicação. O astrólogo virou uma espécie de consultor sentimental, parecendo às vezes a cigana da buena-dicha, falando de “infernos astrais” e de outras bobagens. Se um pouco mais “letrado”, colocou-se numa situação autopromocional ao aparecer em colunas de jornais, passando para o grande público, invariavelmente, uma visão falsa da Astrologia.

2 - Símbolos ou signos?

De acordo com a tradição astrológica, usamos signos para designar as doze partes em que se divide o Zodíaco, cada uma das doze constelações que lhes correspondem. Por razões históricas, preferimos signo, pois é o termo que aparece nas primeiras formulações astrológicas, desde que os médicos e historiadores do exército de Alexandre Magno, tomaram conhecimento da ciência dos astros no século IV, ao atravessar a Ásia, e desde que Beroso, o caldeu, no século III A.C., passou mais detalhadamente outras informações da arte aos gregos. Razões etimológicas também justificam o uso de signo, do latim signum, palavra relacionada com o verbo cortar, extrair uma parte. Daí, em português, secção, seccionar, seita, etc. Signo, nesse contexto, é algo que foi extraído de alguma coisa maior, uma folha em relação a uma árvore, uma pegada em relação de um transeunte. O signo vincula, relaciona. Na Retórica, o signo está por trás de figuras como a metonímia e a sinédoque.

Normalmente, usamos a palavra símbolo (do verbo grego “symballo”, lançar, comparar, jogar conjuntamente) para situações em que a relação com o referente é arbitrária, convencional. Poderíamos, contudo, tentar usar também símbolo na Astrologia, justificar o seu emprego. Isto nos levaria a enveredar por questões semióticas ou semiológicas, o que nos parece não ser aqui o caso...

3 - Qual acontecimento astrológico mais o impressionou?

O acontecimento astrológico que mais me impressiona são dois: o nascente e o poente do Sol a cada dia e a viagem lunar noturna mensal e as suas quatro fases. Tudo está nesses dois acontecimentos, vida, transformação, mudança, renovação, morte...

4 - Sabemos que tem um trabalho de Astrologia relacionado com áreas como o cinema, as artes, mitologia e alquimia. Poderia escrever sobre?

A resposta a esta pergunta pode ser depreendida do que está acima. O objetivo é o de interligar tudo, encontrar relações, descobrir semelhanças. A Astrologia poderia, por exemplo, fazer com que o estudioso da Filosofia percebesse que boa parte daquilo que Kant escreveu tem a ver, e muito, com o signo de Touro ou que o pisciano Schopenhauer poderia tranqüilamente ser considerado como o patrono dos fóbicos. Os historiadores da arte, da literatura e da música ampliariam sua visão do mundo se a eles fosse explicado que o Impressionismo e o Simbolismo têm, arquetipicamente, é claro, estreitas relações com o deus grego Poseidon, o Netuno dos latinos. Debussy, Monet, Mallarmé, naquilo que produziram, prestaram, acreditamos, sem o saber, cada um deles, o seu tributo ao deus do tridente. Já está provado que a Egiptologia teria que ser reescrita se sobre ela projetássemos os estudos astrológicos das chamadas eras cósmicas. A história do Egito seria recuada de alguns milênios. Evidentemente que para chegarmos a estabelecer essas relações teríamos que vencer muitas resistências, desfazer muitos equívocos elevados “à palavra da Ciência:. Etc, etc, etc... Mas, o que é pior, teríamos que mexer com vaidades, curriolas acadêmicas, “donos do pedaço”, etc.

5 - A política atual e os astros?

A Astrologia que estuda os acontecimentos políticos é um dos seus ramos mais importantes. Pensamos que deveria ser estudada por grupos, diante da grande diversidade de temas que devem ser abordados, se procuramos torná-la mais conseqüente. História, Administração, Economia, Direito, etc, pois tudo isso entra nela. Há muitos anos me atrevi sozinho, ao final de cada ano, a opinar publicamente sobre o vindouro. Para mim, as abordagens foram sempre insatisfatórias, ainda que eu procurasse fazê-las de maneira a mais consciente possível. Isto, porém, não quer dizer que algo não possa ou deva ser dito.

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